Mostrar mensagens com a etiqueta Epidemiologia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Epidemiologia. Mostrar todas as mensagens

Investigadores portugueses identificam o que provoca leucemia (Descoberta pode determinar tratamento mais eficaz)

 Investigadores do Instituto de Medicina Molecular (IMM), em Lisboa, descobriram o mecanismo molecular envolvido no aparecimento de leucemia linfoblástica aguda de células T (LLA-T), um cancro do sangue especialmente frequente em crianças que se caracteriza por um aumento descontrolado do número de glóbulos brancos.
Em entrevista ao Ciência Hoje, João T. Barata, coordenador do estudo, explica que há vários mecanismos descritos para o desenvolvimento de leucemia linfoblástica aguda em geral. “A activação mutacional do gene Notch1 é dos mais frequentes. A expressão aberrante de um outro oncogene, TAL1, também é extremamente comum”,exemplifica.“Por outro lado, nós demonstrámos no passado que alterações, ao nível da proteína, que levam à inactivação do gene supressor de tumores PTEN, também ocorrem em inúmeros casos de LLA-T”, acrescenta.O investigador e equipa do IMM descobriram que “existem também mutações que afectam o gene IL7R em cerca de 9 por cento dos doentes. A forma como as mutações promovem o desenvolvimento de leucemia passa pelo facto de elas tornarem a proteina IL-7R, que é um receptor expresso na superfície das células, permanentemente activada”, refere João T. Barata.E continua: “O receptor interleucina 7R (IL-7R) promove a sobrevivência e multiplicação celulares. Em condições normais tal acontece apenas quando a IL-7, uma proteína que circula no sangue, se liga ao IL-7R. No entanto, no caso da LLA-T, as mutações levam a que o IL-7R funcione de forma permanente e sem necessidade da IL-7. A consequência é um aumento descontrolado da sobrevivência e proliferação das células que contêm estas mutações”.O estudo dos investigadores portugueses, publicado na revistaNature Genetics, revelou ainda que há um grupo de fármacos que poderá actuar contra o desenvolvimento deste tipo de tumores, abrindo novas perspectivas de terapia.“Estudámos inibidores de JAK1, uma molécula que verificámos ser indispensável para o funcionamento dos receptores IL-7R mutados. Verificámos que a inibição de JAK1 consegue eliminar a maior parte ou mesmo a totalidade das células que expressam o IL-7R alterado. Inibidores de JAK1 estão actualmente em ensaios clínicos para outro tipo de cancros e no contexto de doenças inflamatórias como artrite reumatóide. Para além destes, estamos interessados em testar outros inibidores farmacológicos (por exemplo de PI3K) ou anticorpos específicos”, descreve o investigador.
E conclui: “A nossa esperança e a razão pela qual trabalhamos todos os dias, é que o estudo se venha a traduzir em algo que beneficie os doentes, aumentando o arsenal de armas actualmente existente para combater este tipo de leucemias pediátricas”.



2011-09-07

Por Susana Lage

Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=50800&op=all

Tafamidis: a esperança que tarda para paramiloidóticos portugueses (Portadores da ‘doença dos pezinhos’ exigem imediata distribuição de medicamento em Portugal)

Molécula 'Tafamidis' foi desenvolvida pela farmacêutica americana FoldRx, comprada recentemente pela Pfizer 
«Pelo fim da paramiloidose e o início de uma vida com dignidade» é o título da petição pública que há vários meses corre na Internet. O desenvolvimento de um medicamento que trava os efeitos da Polineuropatia Amiloidótica Familiar, enfermidade hereditária, rara e mortal, conhecida como ‘doença dos pezinhos’, que se espalhou mundialmente a partir de Portugal, e a sua ainda não aplicação no nosso país tem levantado muitas críticas ao Ministério da Saúde e ao Infarmed. Em conversa com o «Ciência Hoje», Carlos Figueiras, presidente da Associação Portuguesa de Paramiloidose (APP), diz não compreender por que razão a substância Tafamidis (Fx-1006A), com o nome comercial de Vyndaqel, não teve, como noutros países, autorização especial do ministério da Saúde para ser aplicada antes da sua aprovação pela Comissão Europeia e pela Agência Europeia do Medicamento (EMA), mesmo com resultados francamente positivos nos ensaios clínicos. Em Portugal existem aproximadamente dois mil doentes sintomáticos e seis mil assintomáticos, fazendo com que este seja o país com maior incidência da doença. Carlos Figueiras explica que o Tafamidis “está a ser testado há quatro anos, sendo desde 2010 aplicado em França e desde este ano em Itália, ao abrigo da Autorização de Utilização Especial dos ministérios da Saúde daqueles países”. Ao travar a doença (o medicamento impede a sua evolução ao bloquear o depósito da proteína nos tecidos de todos os órgãos), é possível evitar a única forma que até agora se conhecia de aumentar a esperança de vida dos doentes: o transplante hepático. “Existem neste momento 100 doentes que iriam beneficiar do tratamento e porque ainda não têm acesso a este têm de estar à espera do transplante, o que pode ser perigoso e não é tão eficaz”, afirma Carlos Figueiras. Em Portugal, desde 2007, 45 portadores da doença participam nos ensaios clínicos do medicamento, tendo sido os custos suportados pela Farmacêutica Americana FoldRx, que desenvolveu o Tafamidis (e que foi comprada o ano passado pela Pfizer). 
  Carlos Figueiras, presidente da Direcção Nacional da Associação Portuguesa de Paramiloidose Mas a eficácia dos ensaios (o medicamento demonstrou-se 100 por cento eficaz em 60 por cento dos casos) não convenceu o ministério da Saúde a dar 'a tal' autorização especial várias vezes pedida Associação Portuguesa de Paramiloidose e pelos doentes. “A APP fez todos os possíveis para que os doentes portugueses beneficiassem antecipadamente da terapia com Tafamidis. Mas o Ministério da Saúde escondeu-se atrás da Agência Europeia do Medicamento que não tinha ainda publicado o relatório de avaliação científica”. A autorização foi finalmente concedida no passado 21 de Julho, reconhecendo que o Tafamidis traz benefícios clínicos para quem o toma. Mas isto não é suficiente. Falta a autorização da Comissão Europeia para a sua comercialização, que está praticamente garantida dentro de alguns dias visto não existir nenhum caso em que um medicamento aprovado pela EMA não fosse autorizado pela Comissão Europeia. Mas este não é ainda o último passo, a Infarmed só o irá distribuir se a Pfizer estiver interessada em comercializá-lo em Portugal. Sendo o Vyndaqel um “medicamento órfão”, ou seja, um medicamento que utilizado para uma doença rara, a complicada questão processual e aquilo que Carlos Figueiras chama de “falta de vontade política” e “razões economicistas”, faz com que para já a esperança dos paramiloidóticos seja acreditar no “humanismo da presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, e do Presidente da República Cavaco Silva”, figuras a quem se destina o abaixo-assinado. “Receio que o abaixo-assinado tenha mesmo de ser entregue quado atingir as quatro mil assinaturas”, lamenta Carlos Figueiras, que preferia depositá-lo já no “museu de documentos históricos” da associação.



2011-09-06

Por Luísa Marinho

Nova ferramenta de diagnóstico da asma alérgica (Investigadores concebem dispositivo mais rápido e não-invasivo)


A asma alérgica afecta directamente as vias aéreas.
Uma equipa de investigação das universidades de Aveiro (UA) e Madeira (UM) e do Serviço de Pediatria do Hospital Infante D. Pedro, em Aveiro, está a trabalhar numa nova abordagem metodológica para caracterizar a asma alérgica em função dos seus padrões metabolómicos. O grande objectivo deste método é conseguir desenvolver novas estratégias para um diagnóstico precoce, terapias de monitorização e compreensão das patogenias desta doença crónica, que afecta milhões de pessoas em todo o mundo.
 A asma alérgica (um sub-tipo de asma) é um problema de saúde crescente que afecta todas as faixas etárias. Os agentes alérgicos responsáveis são comuns ao dia-a-dia de qualquer individuo, tais como, ácaros, mofo, pólen e alimentos ou conservantes destes. Através de um método inovador, os investigadores analisaram os compostos voláteis no ar utilizando a técnica GC/MS. A equipa defende que o ar exalado por um paciente é um bom ponto de partida para a investigação, uma vez que a asma alérgica afecta directamente as vias aéreas.
Para identificar os compostos voláteis da asma foram recolhidas amostras de ar de 35 crianças com asma alérgica, das quais 13 com rinite alérgica. Como controlo de comparação, também se examinaram amostras de outras saudáveis.
“Desenvolvemos técnicas de extracção de compostos voláteis e criámos condições para conseguir recolher, em quantidades que fossem analisáveis, os compostos não vestigiais; optimizámos vários parâmetros para a recolha do ar exalado, como o controlo da variabilidade intra-individual e criámos condições para que o ar ambiente não influenciasse a composição do ar exalado", segundo explicou Sílvia Maria da Rocha, investigadora responsável da UA.
 Durante o estudo, utilizaram um método estatístico robusto (PLS-DA) para tratar os resultados, que permitiu verificar que são sempre os mesmos compostos, normalmente associados ao stresse oxidativo, que estão sempre aumentados nas crianças com asma quando comparados com grupos de controlo.

Primeiras conclusões
 As primeiras conclusões mostram que não houve diferença estatística entre o ar exalado de amostragem dentro do mesmo dia, bem como entre as semanas de amostragem diferentes. De acordo com a investigadora da UA, pretendeu-se que os resultados fossem fiáveis, controlando as variações, para obter compostos que são marcadores da doença sem influência de factores externos. “A asma é uma doença crónica e, por isso, não estamos a actuar na cura, mas na compreensão de vários aspectos relacionados com a doença, para aumentar a qualidade de vida dos doentes”, referiu ainda a especialista.
 Apesar da população em estudo ser pequena, os investigadores conseguiram já recolher informações fundamentais que representam a base científica para a definição de uma ferramenta rápida e não-invasiva de diagnóstico.
 A inovação possibilitará aprofundar os conhecimentos na área de diagnóstico da doença, seguir os efeitos da sua terapia e as alterações provocadas no organismo, para, num futuro próximo, se poder intervir numa fase precoce do seu diagnóstico e prognóstico. As primeiras conclusões foram publicadas no Journal of Chromatography A.


2011-08-19


Vírus do sarampo pode ajudar no combate ao cancro

Vírus afecta um receptor comum e altamente expresso nas células cancerígenas do pulmão 

 Cientistas canadianos descobriram que um marcador de células tumorais é um receptor para o vírus do sarampo, o que sugere ser possível a utilização deste para ajudar a combater o cancro. Os vírus causam infecções ao ligarem-se a proteínas específicas na superfície das células chamadas receptores. De acordo com um artigo publicado na “PLoS Pathogen", uma equipa liderada por Chris Richardson, da Escola de Medicina de Dalhousie, no Canadá, descobriu que o marcador PVRL4 (nectin-4) é o receptor do vírus do sarampo em questão que se encontra nas células das vias respiratórias (alvo deste vírus, assim como os pulmões). Além disso, grandes quantidades de PVRL4 também estão presentes em muitos cancros que se originam nas células do pulmão, cólon, mama e ovários. O receptor foi descoberto mediante uma comparação de proteínas produzidas em células cancerígenas susceptíveis ao vírus com proteínas de células resistentes. Dado que o PVRL4 se encontra em muitos tipos de cancros humanos, o vírus do sarampo pode ser usado especificamente para infectar as células cancerosas e activar o sistema imunitário contra os tumores. A capacidade dos vírus do sarampo para matar as células cancerigenas foi previamente estudada por cientistas da Clínica Mayo, nos EUA, mas esta é a primeira vez que se demonstra que o vírus tem como alvo um receptor comum e altamente expresso nas células cancerigenas do pulmão, cólon, mama e ovários. Desta forma, o método poderá vir a ser usado para combater vários tipos de cancros. 

 Estudo publicado na “PLoS Pathogen"

 2011-08-30

Desequilíbrios hormonais influenciam resposta do corpo à doença 

Uma equipa de investigadores da Universidade Nacional Australiana está a investigar uma nova forma de tratamento para o cancro do pulmão a partir de uma enzima capaz de controlar a proliferação das hormonas que influenciam a resposta do corpo a esta doença. Segundo um estudo publicado na “Medicinal Chemistry Communications”, revista da "Royal Society Chemistry", o grupo liderado por Chris Easton e Lucy Feihua Cao está a trabalhar com uma enzima designada por PAM e a estudar a sua capacidade para activar hormonas peptídicas. Este novo trabalho demonstrou que desequilíbrios neste tipo de hormonas originam algumas formas de cancro e também doenças inflamatórias e asma. 
Lucy Feihua Cao explicou que pessoas com maiores quantidades de calcitonina, um tipo de hormona peptídica, têm menos probabilidade de superarem um cancro do pulmão. "É por isso que trabalhamos para tentar reduzir a quantidade de calcitonina, nomeadamente através do controlo da actividade da enzima PAM", revelou a investigadora. "Os nossos resultados são promissores, mas estamos numa etapa inicial", apontou Chris Easton, acrescentando que muitos dos testes realizados foram eficazes na redução de calcitoninas. Com este trabalho, o grupo australiano espera criar um “novo medicamento que melhore e prolongue a vida de muitas pessoas que têm cancro do pulmão", a principal causa de morte por doenças oncológicas no mundo, acrescentou o cientista. 
  

2011-08-23  

Bacterium offers way to control dengue fever

Wolbachia strain halts virus in mosquitoes.
A bacteria can stop Dengue-fever-carrying Aedes aegytpi mosquitoes from transmitting the virus
A common bacterium that infects mosquitoes is showing promise as a way to control the spread of dengue fever. Transmitted by the mosquito Aedes aegypti, dengue fever kills around 12,500 people a year. Unlike for malaria, bed nets are not effective in combating dengue as A. aegypti is active during the day. And concerns about rising resistance to insecticides has spurred the search for alternatives. A team led by Scott O'Neill, Dean of Science at Monash University in Melbourne, Australia, believe they may have the answer. In work published in Nature1,2 today, they reveal a strain of the bacterium Wolbachia pipientis that can stop the dengue virus from replicating in its mosquito host. They go on to show that this bacterium can rapidly spread through wild A. aegypti populations, suggesting it could be a viable control mechanism for dengue fever. "The presence of Wolbachia in mosquitoes completely blocks the ability of the dengue virus to grow in mosquitoes," O'Neill says. First principles In previous work, O'Neill and his colleagues showed that infecting female mosquitoes with the Wolbachia strain wMelPop-CLA could cut their lifespan by half. The aim was to fight dengue fever by killing infected mosquitoes early, before the virus could mature enough to be passed on to people. But this approach, which also reduces infected mosquitoes' rate of reproduction by 56%, is problematic, as it also limits infected mosquitoes' ability to pass the bacterium on. The solution, the group reports today, could lie in wMel. In caged field experiments, mosquitoes infected with this strain had lifespans, reproductive rates and offspring viability similar to that of uninfected controls. Further, the team did not find virus in the saliva of wMel-infected females, suggesting that the bacterium could block transmission of the disease. And, because it does not harm mosquitoes, the bacterium is more likely than its predecessor to spread successfully through wild populations. "It's an environmentally friendly approach that does not affect the mosquitoes, just the virus," says Flaminia Catteruccia, a molecular entomologist at Imperial College London, whose work has focused on controlling the malaria-carrying mosquitoes Anopheles gambiae. 
How wMel stops the virus from replicating is "not fully understood", says O'Neill. But he says mounting evidence suggests that the bacteria "compete for limited sub-cellular resources required by the virus for replication". Into the wild In an open field trial in two relatively remote areas in Australia, the team released more than 300,000 adult mosquitoes infected with the wMel Wolbachia strain into wild A. aegypti populations over a period of 9–10 weeks. Five weeks later, nearly all the wild mosquitoes tested were infected. "This is the first case where wild insect populations have been transformed to reduce their ability to act as vectors of human disease agents," the authors write. They now plan to run large trials over the next 2–3 years to test the approach in countries where dengue fever is endemic. If the trials go well, their method could be implemented as a control mechanism "immediately afterwards", says O'Neill.


Natasha Gilbert

Identificados novos anticorpos do vírus da SIDA

Descoberta abre novas pistas para investigação da vacina contra a doença

Detalhes da estrutura de partículas do vírus HIV Cientistas do Instituto de Investigação Scripps, nos Estados Unidos da América, identificaram novos e poderosos anticorpos do vírus da SIDA, que abrem novas pistas para a investigação da vacina contra a doença, avança a LUSA. Os anticorpos são 'armas' de defesa do sistema imunitário contra os agentes infecciosos, vírus ou bactérias. No caso do VIH, devido às múltiplas e rápidas mutações, os anticorpos produzidos pelos seropositivos são incapazes, na maioria das situações, de neutralizar o vírus. De acordo com o estudo publicado na revista científica britânica Nature, os 17 novos anticorpos identificados foram isolados depois de extraídos de quatro seropositivos com uma forte resposta imunitária contra o vírus da SIDA. A maior parte destes anticorpos é dez vezes mais poderosa do que os descritos recentemente (PG9, PG16 e VRC01) no âmbito das investigações sobre a vacina contra a SIDA, salientou a equipa de cientistas norte-americana. Os investigadores realçaram que certas combinações destes anticorpos conseguem um nível favorável de cobertura contra uma grande proporção de variantes do VIH. Segundo os médicos, uma vacina capaz de impedir uma infecção com o vírus da SIDA deverá desencadear no sistema imunitário a produção deste tipo de anticorpos antes de uma exposição ao agente patogénico. 

2011-08-18


Functional genomics reveal that the serine synthesis pathway is essential in breast cancer

Cancer cells adapt their metabolic processes to drive macromolecular biosynthesis for rapid cell growth and proliferation. RNA interference (RNAi)-based loss-of-function screening has proven powerful for the identification of new and interesting cancer targets, and recent studies have used this technology in vivo to identify novel tumour suppressor genes3. Here we developed a method for identifying novel cancer targets via negative-selection RNAi screening using a human breast cancer xenograft model at an orthotopic site in the mouse. Using this method, we screened a set of metabolic genes associated with aggressive breast cancer and stemness to identify those required for in vivo tumorigenesis. Among the genes identified, phosphoglycerate dehydrogenase (PHGDH) is in a genomic region of recurrent copy number gain in breast cancer and PHGDH protein levels are elevated in 70% of oestrogen receptor (ER)-negative breast cancers. PHGDH catalyses the first step in the serine biosynthesis pathway, and breast cancer cells with high PHGDH expression have increased serine synthesis flux. Suppression of PHGDH in cell lines with elevated PHGDH expression, but not in those without, causes a strong decrease in cell proliferation and a reduction in serine synthesis. We find that PHGDH suppression does not affect intracellular serine levels, but causes a drop in the levels of α-ketoglutarate, another output of the pathway and a tricarboxylic acid (TCA) cycle intermediate. In cells with high PHGDH expression, the serine synthesis pathway contributes approximately 50% of the total anaplerotic flux of glutamine into the TCA cycle. These results reveal that certain breast cancers are dependent upon increased serine pathway flux caused by PHGDH overexpression and demonstrate the utility of in vivo negative-selection RNAi screens for finding potential anticancer targets. 


Richard Possemato, Kevin M. Marks, Yoav D. Shaul, Michael E. Pacold, Dohoon Kim, Kıvanç Birsoy, Shalini Sethumadhavan, Hin-Koon Woo, Hyun G. Jang, Abhishek K. Jha, Walter W. Chen, Francesca G. Barrett, Nicolas Stransky, Zhi-Yang Tsun, Glenn S. Cowley, Jordi Barretina, Nada Y. Kalaany, Peggy P. Hsu, Kathleen Ottina, Albert M. Chan, Bingbing Yuan, Levi A. Garraway, David E. Root, Mari Mino-Kenudson, Elena F. Brachtel et al.

Segredos da biologia de vários fungos patogénicos revelados

Já é possível perceber como as proteínas ajudam no processo de infecção 

Sandra Macedo Ribeiro, investigadora principal no IBMC . Quando um gene é codificado, dá geral e inequivocamente origem a uma única proteína. No entanto, nem sempre é assim. Os fungos patogénicos, do género Candida, vivem com um código genético – relação entre a sequência de bases no DNA e a correspondente de aminoácidos, na proteína – atípico e ambíguo, ou seja, “o mesmo tripleto vai dar origem a duas proteínas”, segundo explicou, ao «Ciência Hoje», a cientista Sandra Macedo Ribeiro. Investigadores do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) da Universidade do Porto e do Departamento de Biologia / CESAM - Universidade de Aveiro acabam de publicar um estudo, no último número da revista PNAS, que ajuda a clarificar questões sobre a biologia destes fungos, que há muito intriga a comunidade científica. “Aquilo que nos tem intrigado particularmente era tentar perceber como é que um gene origina duas proteínas colocando, na mesma posição, dois aminoácidos diferentes, de forma a não serem nocivos para a célula”, continuou a cientista do IBMC. A versatilidade do código genético, descoberta durante os últimos 40 anos, em bactérias, fungos e organismos ciliados foge às regras. A equipa descobriu que “os genes destes fungos evoluíram de tal modo que as suas proteínas não são destruídas pela alteração das regras do código genético”. Os fungos do género Candida traduzem de forma ambígua as mensagens codificadas nos seus genomas. A coordenadora da equipa do IBMC sublinhou que a partir de agora “é possível perceber como as proteínas são ambíguas e podem ajudar no processo de infecção” e essa informação poderá ser “aplicada em novos alvos terapêuticos, especialmente, em infecções de C. albicans”. Estrutura tridimensional da seril-tRNA sintetase de C. albicans O complexo estudo da estrutura das proteínas destes fungos, levado a cabo pelas duas equipas do Porto e de Aveiro, permitiu perceber que estes organismos não eliminaram ao longo da evolução o factor que leva à leitura ambígua dos genes, optando por estratégias subtis de adaptação a tal ambiguidade. “Já sabíamos que os genes de C. albicans eram traduzidos de forma ambígua, mas não sabíamos como é que as suas proteínas toleravam tal ambiguidade. Os novos estudos revelaram uma flexibilidade desconhecida dos mecanismos de evolução dos genes e mostraram como a sua reestruturação permite aos serem vivos sobreviverem e adaptarem-se a condições caóticas, abrindo novas perspectivas para se compreender a capacidade de sobrevivência a eventos genéticos catastróficos”, avançou ainda, em comunicado, Manuel Santos, investigador da UA responsável pelo estudo. Manuel Santos, Investigador no CESAM e co-autor. É importante perceber que no caso da C. albicans, um tripleto poderá dar origem a dois aminoácidos diferentes – serina ou leucina – e um está normalmente na superfície das proteínas (serina) e a outra no seu interior, continuou Sandra M. Ribeiro. Segundo os autores, os segmentos sujeitos a ambiguidade foram relocalizados para zonas dos genes que não causam alterações estruturais ou funcionais dramáticas nas proteínas por eles codificadas, com excepção de algumas situações raras. “A Candida albicans manteve alguns desses segmentos em locais essenciais para a regulação de vias de sinalização relacionadas com a virulência”, adiantou ainda. Este facto parece indicar que a ambiguidade pode ajudar o fungo a alterar a forma e função das proteínas de acordo com as condições do meio ambiente ou com as necessidades específicas do processo de infecção. “Pode haver uma alteração na taxa de incorporação dos aminoácidos, quando integrados em ambientes estranhos e o fungo poderá tornar-se mais resistente ou, pelo menos, mais virulento”, ressalvou a investigadora do IBMC.  

C. albicans É um fungo oportunista que causa infecções humanas (essencialmente orais e genitais) conhecidas por candidíase, que são comuns em pacientes imunodeprimidos, como é o caso de doentes de HIV, pacientes oncológicos, idosos, etc. Para além do interesse teórico, o trabalho revela novas facetas da biologia destes fungos que poderá ajudar a comunidade científica a compreender melhor a biologia da infecção destes fungos.  

2011-08-10 
Por Marlene Moura 

Stress urbano afecta o cérebro (Citadinos estão mais sujeitos a desordens de ansiedade e transtornos de personalidade)

Quem vive em grandes cidades tem mais probabilidade de desenvolver desordens de ansiedade e transtornos de personalidade do que quem vive em sítios rurais. Isto não é propriamente uma novidade. Agora, um estudo realizado por uma equipa alemã e canadiana sobre os processos biológicos que determinam estes factores faz a capa do mais recente número da revista «Nature».

Os cientistas descrevem como os citadinos sofrem alterações em regiões cerebrais que regulam a emoção e o stress. Esta investigação pode ser um primeiro passo para que no futuro se criem estratégias para melhorar a qualidade de vida.

Sabia-se já, por estudos anteriores, que o risco de desordens de ansiedade era maior em 21 por cento em habitantes das cidades e que nos transtornos de personalidade o risco era maior em 39 por cento. A incidência da esquizofrenia é o dobro nas pessoas que nasceram e cresceram em cidades.

Jens Pruessner, co-autor do artigo e investigador do Douglas Mental Health University Institute (Montreal, Canadá), e investigadores do Instituto Central de Saúde Mental de Mannheim (Alemanha) observaram a actividade cerebral de voluntários saudáveis provenientes de zonas rurais e urbanas.

Através de um conjunto de experiências de ressonância magnética funcional, os investigadores comprovaram que a vida citadina está associada a respostas de maior stress na amígdala cerebelosa , zona do cérebro envolvida na regulação do afecto e do stress.

As experiências sugerem que as diferentes regiões do cérebro são sensíveis à experiência de viver num meio urbano. Futuros estudos podem tornar mais clara a relação entre as desordens mentais e a experiência de viver em cidades.

Novo tratamento com ultrassons faz regredir tumores (Terapêutica experimental é não-invasiva e já um sucesso)

Tratamento já foi aplicado em pelo menos sete mil mulheres.
Uma equipa médica da Universidade da Virgínia, nos EUA, está a aplicar um novo tratamento não invasivo para tumores benignos que recorre a ultrassons. O tumor é bombardeado directamente com ondas sonoras a uma temperatura de 80 graus, inofensivo para o corpo, mas fatal para as células anormais. É uma opção de tratamento que não envolve radiação de qualquer tipo, nem cirurgia. Os tecidos envolventes são poupados de qualquer efeito da quimioterapia.

No entanto, a técnica já tinha sido relatada no país vizinho e os médicos espanhóis do Instituto Cartuja de Técnicas Avanzadas de Sevilha relataram uma elevada taxa de sucesso. O método provoca a necrose térmica da zona afectadas sem afectar outras zonas do corpo.

Recentemente, uma paciente foi tratada com sucesso na Virgínia. Stephanie Small, de 27 anos, tinha uma fibroide no útero do tamanho de uma bola de futebol e, através da remoção cirúrgica, iria ficar impedida de ter filhos. Para evitar a histerectomia (remoção do útero), a jovem norte-americana aceitou fazer o tratamento experimental e seis meses depois, o tumor reduziu drasticamente.

Até ao momento, o tratamento com ultrassons já foi aplicado em pelo menos sete mil mulheres com fibroides. Cerca de 90 por cento apresentaram redução dos tumores logo após os primeiros ultrassons.

Os ultrassons usados neste tratamento são dirigidos especificamente aos tumores sem danificar as outras células do corpo. Os investigadores estão agora a estudar maneiras de estender esta técnica aos tumores malignos.

Os testes clínicos começam daqui por dois anos, mas o tratamento já está a ser um sucesso e revela-se como um grande avanço no mundo da medicina. Este problema afecta entre 20 a 40 por cento das mulheres portuguesas com mais de 35 anos.

2011-06-15

Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=49618&op=all

Herpes genital: mesmo sem lesões, pode ser transmitido (80 por cento dos americanos desconhecem ter)

Pessoas com herpes genital podem contagiar os seus parceiros mesmo que não tenham lesões, revela um estudo publicado no “Journal of American Medical Association”, que vem reforçar as suspeitas que os cientistas já tinham neste sentido.

De acordo com Christine Johnston, co-autora do estudo e investigadora da Universidade de Washington, nos EUA, investigações anteriores de grande escala, realizadas pelo governo norte-americano, já tinham demonstrado que 80 por cento dos americanos desconhecem ter herpes genital.

O estudo actual é o maior realizado até à data para examinar a questão e também a utilizar um teste sensível de ADN para detectar o vírus. Isto significa, refere a autora do estudo, “que se pode tornar muito mais clara qual a frequência com que as pessoas propagam o vírus ".
O estudo envolveu 500 pessoas que tinham obtido um resultado positivo da presença do vírus. Cada uma recolheu amostras genitais com um cotonete durante pelo menos 30 dias, sendo que, no total, foram recolhidas e analisadas mais de 28 mil amostras.

O vírus foi detectado em 20 por cento dos dias, em 410 pessoas que tinham sintomas, comparativamente a dez por cento dos dias nas pessoas que não tinham sintomas evidentes. No entanto, em ambos os grupos segregaram a mesma quantidade vírus durante os dias de propagação.

Estes dados sugerem a utilização de medidas preventivas sempre que possível. Entre elas o uso de preservativo, tomar diariamente um antiviral indicado e informar o parceiro sobre a infecção. De acordo com a investigação, "foi demonstrado que estas três estratégias reduzem a transmissão entre 30 a 50 por cento", facto que leva os cientistas a recomendar as pessoas a usarem todas estas medidas.

2011-05-11

Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=48999&op=all

Parkinson e Alzheimer ‘dificultam a vida’ aos investigadores (Doenças requerem marcadores preditivos eficazes)

Ainda não existe nada que seja eficaz em travar a progressão da doença de Parkinson ou o aparecimento de Alzheimer. No entanto, nos próximos anos, espera-se que os resultados de estudos a decorrer possam permitir um diagnóstico precoce ou mesmo uma cura para estas doenças que afectam cada vez mais pessoas.
No segundo dia da Reunião da Sociedade Portuguesa de Neurociências, que decorreu entre quinta-feira e sábado, em Lisboa, Joaquim Ferreira e Alexandre de Mendonça abordaram a questão da «Progressão da doença de Parkinson» e a importância de «Identificar precocemente a doença de Alzheimer».
Em entrevista ao Ciência Hoje (CH), Joaquim Ferreira afirmou que actualmente, “aquilo que os médicos e que os investigadores procuram” fazer em relação ao Parkinson, “é interferir na progressão da doença”. Para o investigador da Faculdade de Medicina de Lisboa (FML) e do Instituto de Medicina Molecular (IMM), “mais do que tratar os sintomas, procura-se idealmente curar a doença”. Mas, “assumindo que é difícil”, tenta-se “pelo menos modulá-la fazendo com que aconteça mais tarde coisas que geram incapacidades para os doentes”, explica. E acrescenta: “o objectivo último de tudo o que se faz em termos de investigação é conseguir atrasar a progressão ou idealmente curar. Muitas vezes, concentramo-nos em curar os sintomas porque não temos boas armas para interferir verdadeiramente na doença”.
Existem “vários problemas que estão relacionados com a doença, que não nos facilita a vida, e com a metodologia, para a qual ainda não temos solução”, afirma Joaquim Ferreira. “Um dos problemas metodológicos é não termos marcadores que permitam, com menos doentes e num mais curto espaço de tempo, tirar conclusões que sejam indiscutíveis”, explica.
O mais importante em termos de investigação nesta área é, de acordo com o cientista, existirem “marcadores que fossem resultado de um estudo de imagem, de um estudo neurofisiológico, de um parâmetro clínico, que permitisse num grupo pequeno de doentes ter uma boa pista de que determinado composto interfere na doença”. Mas, em “40 anos de investigação” à doença de Parkinson “ainda não houve nenhuma pista” que permitisse encontrar esses marcadores. Por isso, “o envelhecimento natural continua a ser o melhor factor que permite predizer o aparecimento da doença”.
Neste momento, Joaquim Ferreira e equipa do IMM estão a avaliar parâmetros clínicos, isto é, “escalas clínicas ou desenho dos estudos, que permitam tirar estas conclusões”. Outra das áreas de investigação “tem a ver com o rever todos os dados disponíveis no sentido de dizer quais é que são as intervenções terapêuticas eficazes, quais é que são aquelas para as quais não existem dados que suportem o seu benefício”.

Diagnóstico precoce

“As estimativas” apontam para que existam “cerca de 70 mil pessoas com doença de Alzheimer em Portugal”, afirma Alexandre de Mendonça ao CH. No entanto, o investigador da FML e do IMM sublinha que “quando indicamos estes valores, não estamos a incluir outras formas de demência frequentes, nem os pacientes em que os defeitos cognitivos não atingem uma gravidade compatível com demência”. Estas são pessoas “que também têm um risco de progredir para demência e que manifestam queixas e dificuldades na vida diária em consequência dos esquecimentos e alterações cognitivas”.
A queixa inicial que poderá identificar o início de um problema “são os esquecimentos”, explica Alexandre de Mendonça. E, “muitas vezes, os próprios familiares a certa altura acham que esses esquecimentos são exagerados e estranhos para a idade e levam a pessoa ao médico”. Segundo o investigador, “em geral, quando os doentes e familiares vão ao médico por esse problema, quase sempre existe alguma coisa que deve ser vista porque é preocupante”.

A razão pelo qual é difícil diagnosticar precocemente a doença de Alzheimer prende-se com o facto de “todos nós termos alguns esquecimentos e isso pode não ser, só por si, muito valorizado”. Daí a importância de identificar “marcas da doença” que permitam “puder dizer que, embora seja uma fase muito precoce, a doença já está presente”.
Alexandre de Mendonça sublinha que para “diagnosticar, num futuro muito cedo, a doença, vamos ter de recorrer a biomarcadores”. Estes biomarcadores já existem, apesar de ainda não se saber “qual a melhor combinação dos biomarcadores em termos preditivos”.
A “vantagem do diagnóstico precoce é os doentes poderem entrar em ensaios clínicos destinados a atrasar a progressão da doença”. Segundo o cientista, “vários centros em Portugal já têm ensaios clínicos nesta área, sendo talvez o mais importante realizado com um anti-corpo monoclonal dirigido contra o beta-amilóide”, no qual o próprio participa. Mas existem também “outros ensaios, alguns a decorrer, outros a começar, com outras moléculas”, o que demonstra “um grande esforço dos investigadores no nosso país”.

2011-05-31

Por Susana Lage

Vinho da Beira Interior previne cancro do estômago (Alta concentração de resveratrol inibe formação de tumores)

Casta touriga nacional é mais rica em resveratrol
Os vinhos tintos produzidos na Beira Interior são um bom produto para a prevenção de doenças como o cancro do estômago, segundo um estudo de Luísa Paulo, investigadora da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior (UBI).
A investigação, que deu origem a uma tese de doutoramento em biomedicina, revela que os néctares da região possuem maiores concentrações de resveratrol - substância anti-oxidante associada à prevenção de doenças cardiovasculares e diabetes -, sobretudo os produzidos com a casta touriga nacional.
“Este estudo veio demonstrar que aquela substância é inibidora da multiplicação da bactéria responsável pelo aparecimento de tumores no estômago”, explicou a investigadora, Luísa Paulo.

A investigadora, que já viu parte dos resultados publicados em três revistas científicas internacionais, considera que "a Beira Interior possui bons vinhos” e atribui os elevados teores de resveratrol no vinho da região às amplitudes térmicas a que as videiras estão sujeitas. "A produção dessa substância é uma forma de defesa que as plantas possuem”, adiantou.
Esta técnica superior do Centro de Apoio à Transferência Tecnológica Agro-Industrial, em Castelo Branco, adiantou que, para este trabalho, “foram analisadas 186 amostras de vinhos de todo o país”.
Na sua investigação, Luísa Paulo teve uma equipa de três orientadores, constituída pelo reitor da Universidade da Beira Interior, João Queiroz, e pelas docentes Eugénia Gallardo e Fernanda Domingues.
Eugénia Gallardo declarou à Lusa que, "no futuro, o objectivo será dar apoio aos próprios produtores, sobretudo no processo produtivo, de forma a que se possam ainda melhorar os níveis de resveratrol".
Com a tese de doutoramento já entregue, Luísa Paulo aguarda agora pela defesa pública da sua investigação.

2011-06-09

Caril dá uma "ajuda" na quimioterapia (Curcumina é a substância que torna tratamento menos tóxico)

Utilização do caril implica menos riscos para os pacientes

Uma das substâncias do caril, a curcumina, pode ajudar pessoas submetidas a quimioterapia para cancro da cabeça e pescoço, diminuindo as doses de cisplatina administradas, revela um estudo publicado na revista "Archives of Otolaryngology".
Investigadores da Escola Médica da Universidade do Michigan, nos EUA, adicionaram um composto à base de curcumina (FLLL32) às linhas de células de laboratório de cancros da cabeça e pescoço, reduzindo assim a dose de cisplatina utilizada na quimioterapia, sendo que a eficácia do tratamento manteve-se.
Thomas Carey, autor principal do estudo e co-director do programa de oncologia de cabeça e pescoço do Comprehensive Cancer Center, explicou que "quando as células se tornam resistentes à cisplatina é necessário aumentar as doses". Acrescentou que, "no entanto, essas drogas são tão tóxicas que os pacientes que sobrevivem ao tratamento acabam por sofrer efeitos secundários a longo prazo".
O médico acredita que o seu estudo pode possibilitar o uso de doses mais baixas e menos tóxicas de cisplatina, atingindo resultados iguais ou melhores na eliminação de tumores, sem tantos riscos para os pacientes.
A principal razão que faz com que os tratamentos de cancro da cabeça e pescoço falhem é o facto de as células cancerígenas se tornarem resistentes à quimioterapia, o que acaba por fazer com que a doença regresse ou se propague, sendo o tempo estimado de esperança de vida para estes pacientes de cinco anos.

2011-06-02
Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=49389&op=all

Nova estirpe da E.coli é responsável por surto de infecções (OMS diz que variante nunca tinha sido isolada em doentes)

Número de mortos aumentou ontem para 17

A Organização Mundial da Saúde anunciou hoje que é uma nova estirpe nunca antes detectada da bactéria E.coli que tem provocado centenas de infecções, algumas mortais, na Europa, segundo noticiou a agência Associated Press, de acordo com a Lusa.
A sequência genética sugere que a estirpe é uma mutação de dois tipos de E.coli, com genes letais que podem explicar o foco de infecção na Europa, sobretudo na Alemanha, que já causou 17 mortes.
Hilde Kruse, um perito em segurança alimentar da OMS, declarou que esta é uma "estirpe única que nunca tinha sido isolada em doentes". A nova estirpe tem "várias características que a tornam mais virulenta e mais produtora de toxinas", acrescentou o especialista.

Até ao momento, as autoridades e os investigadores ainda não conseguiram determinar a origem do surto infeccioso que se tem registado sobretudo na Alemanha.
O surto agravou-se na ontem, com o balanço do número de mortes a subir para 17 e com o registo de centenas de novos casos detectados, inclusivamente na Holanda e nos Estados Unidos em pessoas que, aparentemente, terão estado em trânsito na Alemanha.
A Comissão Europeia levantou ontem o alerta sobre os pepinos espanhóis, após a Alemanha ter reconhecido que estes não terão sido a causa do surto. Entretanto, mantêm-se análises a vários vegetais.

2011-06-02
Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=49385&op=all

E.coli: «Fora do intestino, dá muitas 'chatices'» (Especialista explica acção da estirpe que está a assustar a Europa)



E.coli enterohemorrágica é, em casos extremos, mortal
Há uma semana, a Escherichia coli (E.coli) era completamente desconhecida para a grande maioria das pessoas, mas hoje está nas bocas do mundo graças às 16 mortes que uma das suas estirpes já provocou num curto espaço de tempo.

A estirpe que afectou as vítimas - e que hoje soube-se não corresponder à dos pepinos espanhóis a que tinha sido atribuída a origem do problema - é designada por serotipo EHEC 0104 e causa uma doença grave cujos sintomas principais são diarreia com sangue e insuficiência renal.

Apesar de os efeitos nefastos desta estirpe, a E.coli é “uma bactéria normal do intestino”, que toda a gente tem, pois é importante para a saúde. No entanto, “pode ganhar outras funções pela transferência horizontal de genes, tornando-se transportadoras de toxina. É uma bactéria intestinal que, fora do intestino, dá muitas ‘chatices’, como a insuficiência renal”, explicou ao «Ciência Hoje» José Moniz Pereira, coordenador do Centro de Patogénese Molecular-Unidade dos Retrovírus e Infecções Associadas da Universidade de Lisboa (UL).
Segundo o investigador, “algumas estirpes ganham genes que produzem toxinas e é assim que aparecem as diversas variantes de E.coli, que provocam vários tipos de patologias. Há algumas patogénicas, outras não, umas mais virulentas do que outras”.

Relativamente à E.coli enterohemorrágicas (EHEC), que tem provocado o surto de infecções alimentares na Alemanha, trata-se de uma estirpe com capacidade de produzir verocitotoxina, uma toxina que provoca no ser humano gastroenterites agudas, com cólicas abdominais, diarreia com sangue, febre moderada e vómitos, sintomas que podem evoluir, por força da queda do número de plaquetas, para uma síndrome hemorrágica, em alguns casos mortal.

Nesta fase mais grave, conhecida por síndrome hemolítica-urémica (SHU), a infecção já está espalhada pelo organismo. De acordo com José Moniz Pereira, neste estado, os vasos sanguíneos são afectados pela E.coli, na medida em que já entrou na circulação, “perturbando, sobretudo as funções renais”, com danos por vezes irreversíveis.


Origem do "surto" foi inicialmente atribuída a pepinos espanhóis
Esta estirpe patogénica da bactéria é de origem animal. O investigador da UL acredita que pode ser transferida para vegetais “que possam ter estado em contacto com dejectos animais”, através das águas de rega ou durante o transporte, venda ou preparação. Daí a “necessidade de os vegetais serem muito bem lavados”, sobretudo quando são ingeridos crus.

Uma vez que as bactérias sucumbem a temperaturas superiores aos 70 graus centígrados ou inferiores aos 20 negativos, as hortaliças que são cozidas durante dez minutos não apresentam este perigo de infecção, sendo que, à partida, os ultra-congelados também não.

Relativamente à utilização de antibióticos, estas bactérias podem ser resistentes a muitos deles, graças a “um plasmídeo de resistência, elemento genético extracromossómico que faz com que a bactéria ganhe mais funções”, revelou José Moniz Pereira.

Já Miguel Vicente Muñoz, investigador do Centro Nacional de Biotecnologia espanhol, disse ao jornal «El País» que “eliminar qualquer E.coli é difícil pois estão protegidas por uma capa de três camadas (outras como as da pneumonia só têm duas). Além disso, as estirpes malévolas têm genes de resistência a vários antibióticos e possuem, inclusivamente, mecanismos para aumentar a produção da toxina quando se pretende eliminá-las. O antibiótico, em vez de curar, pode agravar o problema”.

2011-06-01

Por Carla Sofia Flores

Medicamento para o HIV pode combater cancro do colo do útero (Fármaco elimina células infectadas pelo papiloma vírus humano)

HPV é dos principais responsáveis pelo cancro do colo do útero
Uma equipa de investigadores da Universidade de Manchester, no Reino Unido, descobriu que o fármaco Lopinavir, utilizado para tratar portadores do vírus da sida, pode combater de forma eficaz o papiloma vírus humano (HPV), associado ao desenvolvimento de cancro no colo do útero.

Um estudo publicado na revista “Antiviral Therapy”, mostrou que este medicamento tem a capacidade de alterar um mecanismo de defesa do HPV em células de mulheres infectadas com o vírus.

Contudo, os seus efeitos positivos contra o vírus responsável pelo desenvolvimento de tumores cancerígenos no colo do útero, e que nos homens está associado ao cancro peniano, só ocorrem se as pacientes receberem uma dose 15 vezes superior à aplicada nos doentes com sida. Desta forma, para os cientistas, o melhor método de aplicação seria por meio de cremes, pois, actualmente, o medicamento é disponibilizado apenas em formato de comprimidos.
De acordo com os investigadores, o Lopinavir actua no organismo ao eliminar as células infectadas pelo HPV, sem provocar danos significativos naquelas que são saudáveis. Tal acontece, porque o medicamento activa um sistema anti-viral do próprio organismo que é suprimido pelo HPV.

“As células infectadas em que o fármaco actua não são do cancro em si, mas o que se tem de mais próximo das células encontradas numa infecção de HPV pré-cancerígena”, referiu Ian Hampson, membro da equipa responsável pelo estudo, que, em 2006, tinha realizado outro trabalho em que identificou o mesmo efeito do Lopinavir através de testes de laboratório.

Para a equipa da Universidade de Manchester, esta descoberta pode melhorar o tratamento do cancro do colo do útero, cujos casos têm vindo a aumentar devido à transmissão sexual do vírus HPV, um das causas mais comuns da doença.

Já existem vacinas para o HPV, mas são ineficazes em mulheres já infectadas pelo vírus e não protegem contra todos as formas do vírus, para além de que são muito caras e não chegam assim a toda a gente.

2011-05-05

Desvendado «segredo» da bactéria mais mortal para os humanos (Estafilococo não afecta outros animais)

Investigadores americanos descobriram a razão pela qual a bactéria estalifococo (Staphylococcus aureus) ataca apenas os humanos, tornando-se mortal para alguns, e não outros animais.
"Esta bactéria é a pior ameaça à saúde pública", afirmou Eric P. Skaar, autor do estudo publicado na revista “Cell Host & Microbe”, acrescentando que este organismo é a principal causa de infecções cardíacas e da pele e que é um dos maiores impulsionadores da pneumonia.

A investigação realizada na Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, permitiu verificar que esta bactéria evoluiu de forma a focar regiões específicas da hemoglobina humana a fim de se alimentar do ferro que esta contém.
Em testes realizados com estafilococos criados em laboratórios, Eric P. Skaar constatou que estes preferem o sangue humano ao de outros animais, como ratos ou babuínos. Tal acontece porque a bactéria agarra-se a segmentos da hemoglobina que existem especificamente no ser humano.

De acordo com os investigadores, é também por este motivo que, por vezes, é complicado estudar infecções por estafilococos em ratos. Para contornar este problema, os cientista poderão agora injectar hemoglobina humana nos animais que forem sujeitos a testes laboratoriais.

Embora seja a bactéria mais mortal para a espécie humana, há pessoas resistentes ao estafilococo, pelo que os investigadores acreditam que estas excepções podem dever-se a variações genéticas que tornam a hemoglobina impenetrável ao ataque bacteriano.

Se esta hipótese for verificada em novos estudos, Eric P. Skaar adivinha que, no futuro, os médicos poderão determinar com testes simples se a hemoglobina dos pacientes é ou não imune a esta bactéria, actuando de imediato em função dos resultados. O investigador exemplificou dizendo que, em casos de emergência, as pessoas que fossem susceptíveis aos estafilococos poderiam receber de imediato antibióticos intravenosos antes de procedimentos de risco, como cirurgias.

2010-12-30

Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=46724&op=all

Beyond Mammograms: Research Aims to Improve Breast Cancer Screening

Conventional breast cancer screening tests are far from perfect. The next scans could focus on sound, light, breath and elasticity 
Find a breast cancer tumor when it is tiny, and a woman will probably beat the disease. Find that same malignancy when it is larger or has spread to other organs, and she is far more likely to die, even after surgery, radiation and chemotherapy. Finding breast tumors before they turn deadly is a challenge and one that medical technology has so far failed to master.

“We desperately need better breast cancer screening tools,” says Otis Webb Brawley, chief medical officer at the American Cancer Society. His organization promotes mammography in an effort to reduce the 40,000 deaths from breast cancer every year in the U.S. But that emphasis, Brawley fears, leads engineers and medical device manufacturers to presume that the problem of breast cancer detection is not worth their attention, because it has been solved. It has not. Mammograms miss up to 20 percent of tumors, and an average of one out of 10 readings mistakenly identifies healthy breast tissue as possibly malignant. Those false positives mean that women who try to do the right thing by going in for routine cancer screening face a substantial risk of needless biopsies (which can themselves be disfiguring and interfere with treatment later on) and expense, as well as the misplaced fear that they have cancer when they really do not.
Mammography’s shortcomings have spawned controversy and confusion. In 2009 the U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF) determined that routine mammograms would save too few lives of women ages 40 to 49 to justify the number of false positives and unnecessary biopsies that would result in that age group. Medical societies and patient advocacy groups attacked the recommendation; the American Cancer Society still advises women in their 40s to undergo mammography every year. Some health experts fret, though, that the USPSTF finding has discouraged more than a few women, not just those in their 40s, from getting tested. “It’s made women more skeptical about the test,” says Sheryl Gabram-Mendola, a surgical oncologist at Emory University’s Winship Cancer Institute. “Women say, ‘I’m just not going to do it, I’m too busy.’”

Nancy Shute