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Ondas cerebrais agora descobertas envolvidas na formação da memória (Grupo de investigação brasileiro publica estudo na «Cerebral Cortex»)

Ondas recém-descobertas estão ligadas à consolidação da memória durante o sono

 Uma investigação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (Brasil), publicada na revista científica «Cerebral Cortex», dá conta da existência de uma onda cerebral até agora desconhecida. Esta propaga-se pelas camadas superficiais de uma área do cérebro envolvida na formação de memórias.

 As medições que levaram e esta descoberta foram realizadas em ratos de laboratório, mas os cientistas acreditam que outros mamíferos, incluindo os seres humanos, também apresentam este tipo de ondas. As ondas cerebrais surgem quando os neurónios são atravessados por impulsos eléctricos de forma sincronizada.

 As ondas interagem com outras já conhecidas e serão importantes para a construção e consolidação das memórias no cérebro. Apesar de este estudo estar ainda no início, Adriano Tort professor do Instituto do Cérebro da UFRN e coordenador da investigação, adianta que as ondas aparecem durante a fase do sono REM (rapid eye movement, movimento rápido dos olhos), em que se dão os sonhos e que joga um papel importante no processamento da memória.

 A onda ocorre no hipocampo, uma região que os cientistas definem como um ‘GPS do cérebro’. As oscilações acontecem em frequências específicas, sendo que o novo tipo detectado tem o seu pico de actividade em 140 Hz. A onda aparece ligada outra mais lenta, com a qual interage.

 A próxima fase do trabalho será perceber quais os grupo de neurónios que estão em actividade para gerar esse resultado.

2011-12-26
Fonte: cienciahoje.pt
Original: http://cercor.oxfordjournals.org/content/early/2011/11/10/cercor.bhr319.abstract?sid=cb7eeaab-94b6-4c94-bdff-8481a7262243

Ensaios clínicos podem permitir avanços na Doença de Machado (Manuela Lima, especialista em Genética Humana, falava à margem das XXXVII Jornadas Médicas das Ilhas Atlânticas)

Testes para atrasar a progressão dos sintomas
Os ensaios clínicos em curso a nível internacional para testar na doença de Machado-Joseph fármacos já usados noutras patologias semelhantes podem permitir minimizar ou retardar a progressão desta doença degenerativa, que afecta 90 pessoas nos Açores.

“Existe um conjunto de ensaios clínicos, devidamente registados nas bases de dados internacionais, que estão a usar fármacos que já foram testados noutras doenças para perceber se funcionam na doença de Machado-Joseph, tentando atrasar a progressão dos sintomas, nomeadamente os mais incapacitantes e que põe mais em causa o bem-estar e a qualidade de vida do doente”, afirmou hoje a investigadora Manuela Lima, da Universidade dos Açores.
Manuela Lima, especialista em Genética Humana, falava à margem das XXXVII Jornadas Médicas das Ilhas Atlânticas, que estão a decorrer em Ponta Delgada, onde proferiu uma conferência sobre a doença de Machado-Joseph nos Açores, uma patologia que provoca a perda de coordenação motora, não existindo actualmente um tratamento que permita bloquear a sua progressão.

 A investigadora salientou que existem no arquipélago "cerca de 90 doentes" com esta patologia, principalmente em S. Miguel e nas Flores, frisando que "a percepção é que a prevalência da doença não tem aumentado".

 Manuela Lima sublinhou ser preciso "desmistificar que se trata de uma doença com origem nos Açores", alegando que "a região tem é uma prevalência elevada", o que faz com que "seja preciso investir na gestão dos doentes, proporcionando-lhes os cuidados de saúde adequados, e investigar com base no conjunto de doentes que o arquipélago tem".

“A nossa ideia antiga de que era uma doença açoriana é uma ideia cientificamente errada, porque existem imensos casos no mundo que não têm ligação, nem com os Açores nem com o continente”, frisou.
 Para Manuela Lima, tendo em conta que a cura "não está a ser posta neste momento como uma possibilidade imediata", várias acções podem ser feitas "para melhorar a qualidade de vida dos doentes", nomeadamente o seu enquadramento numa associação como a que existe em S. Miguel.

"É uma doença que se manifesta em doentes de maneiras um pouco diferentes, daí a importância do trabalho de investigação e de intervenção médica", acrescentou, destacando a existência nos Açores da uma equipa multidisciplinar, envolvendo biólogos, neurologistas, especialistas em psicologia e geneticistas.

 Manuela Lima recordou ainda que a Universidade dos Açores colabora, numa base semanal, no programa de aconselhamento genético que existe nos Açores desde 1995 e que permite disponibilizar um teste genético aos doentes e às famílias.


2011-10-14
Por Lusa

Actividade do córtex parahipocampal afecta a memória



Descoberta ajuda a entender porque é que nos lembramos melhor de certas coisas



Uma equipa de cientistas do Massachusetts Institute of Technology (MIT), EUA, demonstrou que a actividade numa parte específica do cérebro, conhecida como córtex parahipocampal (PHC, na sigla inglesa), prevê quão bem as pessoas poderão recordar uma informação visual.
O estudo, publicado na revista NeuroImage, revela que a nossa memória funciona melhor quando o cérebro está preparado para absorver novas informações.
Os investigadores verificaram que quando o PHC de voluntários era activado antes de lhes ser exibida uma determinada imagem tornavam-se menos propensos a recordá-la mais tarde.
Segundo John Gabrieli, investigador principal do estudo, “quando a área está ocupada, por alguma razão ou outra, o cérebro está menos preparado para aprender algo novo”.
O PHC, que foi previamente ligado à lembrança de informações visuais, envolve o hipocampo, uma parte do cérebro fundamental para a formação da memória. No entanto, este estudo é o primeiro a investigar como a actividade do PHC, antes de uma imagem apresentada, afecta a forma como a imagem foi lembrada.


Para realizar o estudo, inicialmente foram mostradas 250 fotografias coloridas de interiores e exteriores a voluntários que estavam a ser monitorizados por ressonância magnética funcional (fMRI). Em seguida foram apresentadas 500 imagens, incluindo as 250 que já tinham visto, como um teste de memória. Os exames de ressonância magnética revelaram que as imagens foram mais lembradas quando houve menor actividade no PHC antes de os participantes visualizarem a imagem pela primeira vez.
Numa segunda experiência, os investigadores usaram a ressonância magnética em tempo real para determinar quando o cérebro estava “preparado” ou “não preparado” para recordar imagens. As imagens apresentadas quando o cérebro estava num estado “preparado” eram as mais memorizadas.

Até agora, os cientistas acreditavam que a memória era baseada na memorização inerente de informações específicas com acontecimentos mais prováveis de serem recordados. Mas, recentemente, neurocientistas cognitivos descobriram que o cérebro é capaz de consolidar, armazenar e recuperar informações importantes.
De acordo com Nicholas Turk-Browne, professor de psicologia da Universidade de Princeton, a descoberta ajuda a entender porque é que nos lembramos de certas coisas melhor do que outras.

2011-08-25

Stress urbano afecta o cérebro (Citadinos estão mais sujeitos a desordens de ansiedade e transtornos de personalidade)

Quem vive em grandes cidades tem mais probabilidade de desenvolver desordens de ansiedade e transtornos de personalidade do que quem vive em sítios rurais. Isto não é propriamente uma novidade. Agora, um estudo realizado por uma equipa alemã e canadiana sobre os processos biológicos que determinam estes factores faz a capa do mais recente número da revista «Nature».

Os cientistas descrevem como os citadinos sofrem alterações em regiões cerebrais que regulam a emoção e o stress. Esta investigação pode ser um primeiro passo para que no futuro se criem estratégias para melhorar a qualidade de vida.

Sabia-se já, por estudos anteriores, que o risco de desordens de ansiedade era maior em 21 por cento em habitantes das cidades e que nos transtornos de personalidade o risco era maior em 39 por cento. A incidência da esquizofrenia é o dobro nas pessoas que nasceram e cresceram em cidades.

Jens Pruessner, co-autor do artigo e investigador do Douglas Mental Health University Institute (Montreal, Canadá), e investigadores do Instituto Central de Saúde Mental de Mannheim (Alemanha) observaram a actividade cerebral de voluntários saudáveis provenientes de zonas rurais e urbanas.

Através de um conjunto de experiências de ressonância magnética funcional, os investigadores comprovaram que a vida citadina está associada a respostas de maior stress na amígdala cerebelosa , zona do cérebro envolvida na regulação do afecto e do stress.

As experiências sugerem que as diferentes regiões do cérebro são sensíveis à experiência de viver num meio urbano. Futuros estudos podem tornar mais clara a relação entre as desordens mentais e a experiência de viver em cidades.

Parkinson e Alzheimer ‘dificultam a vida’ aos investigadores (Doenças requerem marcadores preditivos eficazes)

Ainda não existe nada que seja eficaz em travar a progressão da doença de Parkinson ou o aparecimento de Alzheimer. No entanto, nos próximos anos, espera-se que os resultados de estudos a decorrer possam permitir um diagnóstico precoce ou mesmo uma cura para estas doenças que afectam cada vez mais pessoas.
No segundo dia da Reunião da Sociedade Portuguesa de Neurociências, que decorreu entre quinta-feira e sábado, em Lisboa, Joaquim Ferreira e Alexandre de Mendonça abordaram a questão da «Progressão da doença de Parkinson» e a importância de «Identificar precocemente a doença de Alzheimer».
Em entrevista ao Ciência Hoje (CH), Joaquim Ferreira afirmou que actualmente, “aquilo que os médicos e que os investigadores procuram” fazer em relação ao Parkinson, “é interferir na progressão da doença”. Para o investigador da Faculdade de Medicina de Lisboa (FML) e do Instituto de Medicina Molecular (IMM), “mais do que tratar os sintomas, procura-se idealmente curar a doença”. Mas, “assumindo que é difícil”, tenta-se “pelo menos modulá-la fazendo com que aconteça mais tarde coisas que geram incapacidades para os doentes”, explica. E acrescenta: “o objectivo último de tudo o que se faz em termos de investigação é conseguir atrasar a progressão ou idealmente curar. Muitas vezes, concentramo-nos em curar os sintomas porque não temos boas armas para interferir verdadeiramente na doença”.
Existem “vários problemas que estão relacionados com a doença, que não nos facilita a vida, e com a metodologia, para a qual ainda não temos solução”, afirma Joaquim Ferreira. “Um dos problemas metodológicos é não termos marcadores que permitam, com menos doentes e num mais curto espaço de tempo, tirar conclusões que sejam indiscutíveis”, explica.
O mais importante em termos de investigação nesta área é, de acordo com o cientista, existirem “marcadores que fossem resultado de um estudo de imagem, de um estudo neurofisiológico, de um parâmetro clínico, que permitisse num grupo pequeno de doentes ter uma boa pista de que determinado composto interfere na doença”. Mas, em “40 anos de investigação” à doença de Parkinson “ainda não houve nenhuma pista” que permitisse encontrar esses marcadores. Por isso, “o envelhecimento natural continua a ser o melhor factor que permite predizer o aparecimento da doença”.
Neste momento, Joaquim Ferreira e equipa do IMM estão a avaliar parâmetros clínicos, isto é, “escalas clínicas ou desenho dos estudos, que permitam tirar estas conclusões”. Outra das áreas de investigação “tem a ver com o rever todos os dados disponíveis no sentido de dizer quais é que são as intervenções terapêuticas eficazes, quais é que são aquelas para as quais não existem dados que suportem o seu benefício”.

Diagnóstico precoce

“As estimativas” apontam para que existam “cerca de 70 mil pessoas com doença de Alzheimer em Portugal”, afirma Alexandre de Mendonça ao CH. No entanto, o investigador da FML e do IMM sublinha que “quando indicamos estes valores, não estamos a incluir outras formas de demência frequentes, nem os pacientes em que os defeitos cognitivos não atingem uma gravidade compatível com demência”. Estas são pessoas “que também têm um risco de progredir para demência e que manifestam queixas e dificuldades na vida diária em consequência dos esquecimentos e alterações cognitivas”.
A queixa inicial que poderá identificar o início de um problema “são os esquecimentos”, explica Alexandre de Mendonça. E, “muitas vezes, os próprios familiares a certa altura acham que esses esquecimentos são exagerados e estranhos para a idade e levam a pessoa ao médico”. Segundo o investigador, “em geral, quando os doentes e familiares vão ao médico por esse problema, quase sempre existe alguma coisa que deve ser vista porque é preocupante”.

A razão pelo qual é difícil diagnosticar precocemente a doença de Alzheimer prende-se com o facto de “todos nós termos alguns esquecimentos e isso pode não ser, só por si, muito valorizado”. Daí a importância de identificar “marcas da doença” que permitam “puder dizer que, embora seja uma fase muito precoce, a doença já está presente”.
Alexandre de Mendonça sublinha que para “diagnosticar, num futuro muito cedo, a doença, vamos ter de recorrer a biomarcadores”. Estes biomarcadores já existem, apesar de ainda não se saber “qual a melhor combinação dos biomarcadores em termos preditivos”.
A “vantagem do diagnóstico precoce é os doentes poderem entrar em ensaios clínicos destinados a atrasar a progressão da doença”. Segundo o cientista, “vários centros em Portugal já têm ensaios clínicos nesta área, sendo talvez o mais importante realizado com um anti-corpo monoclonal dirigido contra o beta-amilóide”, no qual o próprio participa. Mas existem também “outros ensaios, alguns a decorrer, outros a começar, com outras moléculas”, o que demonstra “um grande esforço dos investigadores no nosso país”.

2011-05-31

Por Susana Lage

No caminho para tratar o autismo (Cientistas identificam novas regiões no genoma implicadas no distúrbio)

O autismo é causado por muitas pequenas variações no genoma, dizem investigadores

Centenas de pequenas variações genéticas estão associadas a perturbações do espectro do autismo, incluindo uma área de ADN que pode ser a chave para entender por que razão os seres humanos são animais sociais, afirmam investigadores da Universidade de Yale.
O estudo destes cientistas, publicado na revista Neuron, reforça a teoria de que o autismo, um distúrbio que se desenvolve na primeira infância, envolvendo deficiências na interacção social, deficits de linguagem e comportamentos distintos, não é causado por um ou dois grandes defeitos genéticos, mas por muitas pequenas variações, cada uma associada a uma pequena percentagem dos casos.
Matthew State, investigador que conduziu o estudo, analisou mais de mil famílias onde havia uma única criança com um transtorno do espectro do autismo, um irmão não afectado e pais não afectados. A equipa, incluindo o autor principal Stephan Sanders, da Universidade de Yale, comparou os indivíduos com autismo aos seus irmãos para determinar que tipos de mudanças genéticas distinguiam a criança afectada da criança não afectada.

Síndrome de Williams

Um dos aspectos mais intrigantes dos resultados aponta para a mesma pequena secção do genoma que causa a síndrome de Williams, um distúrbio do desenvolvimento marcado por alta sociabilidade e uma aptidão invulgar para a música.
“No autismo, há um aumento no material cromossómico, uma cópia extra desta região, e na síndrome de Williams, há uma perda desse mesmo material”, explica Matthew State. “O que torna esta observação interessante é que a síndrome de Williams é conhecida por um tipo de personalidade que é altamente empática, social e sensível ao estado emocional dos outros. Os indivíduos com autismo têm frequentemente dificuldades neste aspecto. Isto sugere que há um ponto importante nessa região para compreender a natureza do cérebro social”.

Matthew State e equipa também encontraram outras 30 regiões no genoma que são muito prováveis de contribuir para o autismo. “Agora estamos a avançar para uma segunda fase do estudo, em que analisámos mais mil e seiscentas famílias para podermos ser capazes de identificar várias regiões novas que estão fortemente implicadas no autismo”, refere o cientista.

Stephan Sanders e Matthew State estão optimistas com as novas descobertas, sugerindo que a genética é o primeiro passo para entender o que realmente acontece no cérebro a nível molecular e celular. “Podemos usar estes resultados genéticos para começar a desvendar a biologia subjacente do autismo”, revela Stephan Sanders. “Isso vai ajudar muito nos esforços para identificar novas e melhores abordagens para o tratamento”.

2011-06-09
Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=49536&op=all

Depressão mascarada com dores físicas

Sintomas físicos associados a maior severidade da doença.
Dores nas costas, tonturas e mal-estar gástrico podem ser sinais mascarados de uma depressão ou ansiedade crónica. Este quadro clínico nem sempre é lido à primeira e tende a confundir os especialistas, atrasando o diagnóstico correcto.

Sendo assim, os sintomas físicos são associados a uma maior severidade desta patologia. Estima-se que 35 por cento destes casos não sejam diagnosticados e os mais comuns padecidos pelos pacientes falta de apetite sexual (incapacidade de sentir prazer) e fadiga (impossibilidade de realizar tarefas) e ambos são determinantes na altura de diagnosticar o transtorno depressivo, entre outros como palpitações e tonturas.
A dor pode variar de num dia para o outro. Entre os factores que indicam uma possível depressão estão o facto de nenhum analgésico funcionar e a sensação de tristeza pode durar mais de duas semanas.

Não é fácil para o médico perceber de imediato de que se trata realmente. A presença conjunta de ansiedade, depressão e sintomas somáticos tornaram-se mais norma do que excepção, segundo o especialista Luis Caballero disse ao diário espanhol «EL País».

2011-05-30

Questionário simples pode acelerar diagnóstico do autismo (Teste foi realizado com crianças de um ano e permitiu a antecipação do tratamento)

Estudo envolveu dez mil bebés
Fazer um pré-diagnóstico do autismo até aos 12 meses de idade pode estar ao alcance de um questionário simples de 24 perguntas sobre gestos, compreensão e comunicação. Demora apenas cinco minutos a ser respondido e revelou-se um bom instrumento para identificar os primeiros sinais do distúrbio em crianças, de acordo com um estudo publicado no “Journal of Pediatrics".
Este trabalho americano foi o primeiro a demonstrar que uma simples ferramenta de triagem pode ser usada para detectar o autismo, sendo que a sua principal vantagem consiste em poder-se iniciar o tratamento muito mais cedo do que o habitual, sublinhou Karen Pierce, investigadora do Centro de Autismo da Universidade da Califórnia, nos EUA, e primeira autora do estudo.

Normalmente, o autismo é diagnosticado mais tarde, quando os primeiros sintomas são notados pelos pais, pelo que o seu tratamento começa, em média, aos seis anos. Contudo, quanto mais cedo for detectado e o tratamento iniciado, melhor pode ser o desenvolvimento e a aprendizagem da criança.
Neste estudo, a equipa de Karen Pierce reuniu um grupo de 137 pediatras em San Diego, que, ao longo de um ano, fizeram o questionário aos pais de todos os bebés que os consultavam. Foram colocadas perguntas como “Quando o seu filho brinca, procura saber se está a olhar para ele?” ou “ O seu filho sorri a olhar para si?”.
Dos mais de dez mil bebés envolvidos no estudo, 184 “reprovaram” nos testes e, quando as respostas sugeriam sintomas de autismo, as crianças eram sujeitas a exames mais complexos, realizados semestralmente até aos três anos.

Foi assim verificado que do grupo que demonstrou alguns sintomas, 75 por cento dos elementos tinham, efectivamente, algum problema. O diagnóstico de autismo foi feito em 32 crianças; 56 apresentaram atrasos na fala; nove tinham atrasos comportamentais e 36 foram classificados com outros problemas.
Depois desta triagem, os bebés diagnosticados com autismo ou algum atraso no desenvolvimento e 89 por cento das que tinham atrasos na linguagem foram encaminhados para terapias adequadas, em média, aos 17 meses, começando a ser tratadas aos 19 meses, muito antes da idade em que tal começa a acontecer.
A eficácia deste teste no diagnóstico do distúrbio levou a que 96 por cento dos pediatras envolvidos no estudo continuassem a usá-lo como ferramenta de triagem.

2011-04-29

Bactérias intestinais interferem com química do cérebro (Acontece nomeadamente nos casos de ansiedade e de depressão)

Algumas doenças gastrointestinais são associadas a ansiedade ou depressão

De acordo com um estudo publicado na revista “Gastroenterology”, as bactérias intestinais podem influenciar a química do cérebro e o comportamento, nomeadamente nos casos de ansiedade e de depressão.

Esta conclusão é apontada, pela primeira vez, por cientistas da McMaster University, no Canadá, e pode tornar-se de maior relevância tendo em conta vários tipos comuns de doença gastrointestinal, incluindo a síndrome do intestino irritável, que são frequentemente associados a ansiedade ou a depressão.

Além disso, há investigadores que acreditam que alguns transtornos psiquiátricos, tais como o autismo de início tardio, podem estar associados com um teor anormal de bactérias no intestino.

Pessoas saudáveis têm, normalmente, biliões de bactérias no intestino que realizam uma série de funções vitais para a saúde como recolher energia da dieta alimentar, proteger contra infecções e fornecer alimentação às células do intestino.

Nesta investigação foram utilizados ratos adultos saudáveis. Ao alterarem o conteúdo bacteriano normal do intestino com antibióticos, os cientistas verificaram que as cobaias passaram a demonstrar alterações no comportamento, tornando-se menos cautelosas ou ansiosas.

Esta mudança foi acompanhada pelo aumento do factor neurotrófico derivado do cérebro (BDNF, na sigla em inglês), que tem sido associado à depressão e à ansiedade. Contudo, com a interrupção dos antibióticos, os animais voltaram ao comportamento normal.

Premysl Bercik, um dos investigadores envolvidos neste estudo, referiu que estes resultados são importantes e lançam bases para mais investigações sobre o potencial terapêutico das bactérias probióticas no tratamento de distúrbios comportamentais, especialmente os associados às condições gastrointestinais, tais como a síndrome do intestino irritável.

2011-05-24

Cancro esporádico - o caso de Prestige (Crónica)

Novo estudo reforça relação entre problemas de saúde e maré negra
Como já se sabe o cancro é uma das principais preocupações do mundo científico do século XXI e é o pior pesadelo de qualquer pessoa. O aumento da incidência de cancro é atribuído essencialmente aos dois factores: o aumento da esperança média de vida e a poluição.
Cancro é uma doença genética, mas nem sempre hereditária. Apenas 5% dos casos do cancro são hereditários, os indivíduos apresentam genes que aumentam a probabilidade de aparecimento do cancro, mas só se pode dizer que existe uma predisposição para o aparecimento do cancro. Exemplificando: em cem mulheres com cancro da mama (sendo este um tipo de cancro que pode ser transmitido hereditariamente) apenas 7 apresentam genes que as predispõem para este tipo de cancro, por outro lado em cem mulheres com estes genes só 6 irão desenvolver o tumor.
95% dos cancros são espontâneos, podem ter origem nas mutações genicas ou cromossómicas estruturais que transformam os proto-oncogenes em oncogenes e desactivam, geralmente, os genes supressores tumorais.
Os proto-oncogenes são genes que codificam proteínas que estimulam a divisão celular, normalmente, estão inibidos de forma que uma célula normal só se consiga dividir-se 50-60 vezes durante a sua vida. Nos indivíduos adultos estes genes estão desactivados (só se activam para reparação de tecidos lesionados e também estão funcionais nos fetos, pelo que as células cancerígenas assemelham-se à células estaminais embrionárias). Porém, se ocorrer uma mutação genica por substituição de um nucleótido que torna a proteína sintetizada mais activa, o que aumenta a divisão celular, passando a célula dividir-se descontroladamente. Outra possibilidade é o desenvolvimento do tumor devido a uma desactivação de genes supressores tumorais, que estão activos em células normais do indivíduo adulto, inibindo a mitose descontrolada. Os genes supressores tumorais quando desactivados deixam de produzir as proteínas inibidoras da divisão celular e a célula mutante começa a dividir-se descontroladamente.
As mutações são as causas imediatas de cancro, pois descontrolam a regulação genica da célula e a mitose celular. Entre várias mutações genicas e cromossomicas existem alguns tipos que originam tumores. Por exemplo, as substituições de nucleótidos num proto-oncogene podem original uma proteína mais activa do que a normal o que aumentará a divisão celular. Pelo mesmo mecanismo, a substituição de um nucleótido na sequência de um gene supressor pode originar uma mutação com perda de sentido na proteína sintetizada e pode afectar o seu funcionamento (alteração evidente), pode também ocorrer uma mutação nonsense na proteína (quando é sintetizada uma proteína demasiado curta e não funcional. Quanto às mutações cromossímicas, as inversões podem deslocar um proto-oncogene para um promotor mais activo e serão sintetizadas mais proteínas estimuladoras de mitose, o mesmo acontece se um proto-oncogene, na sequência de uma inversão ou translocação recíproca (exemplo: cromossoma da Filadélfia), for deslocado para um gene promotor mais activo.
No entanto, normalmente o cancro é provocado pelas várias mutações consecutivas, erros da replicação do DNA e da mitose que não são reparados nem as células mutantes são detectadas e destruídas pelo sistema imunitário. Frequentemente, existe uma série de activação de proto-oncogenes que se transformam em oncogenes e a desactivação de genes supressores tumorais o que permite a divisão descontrolada das células cancerosas, torna-as imortais (não sofrem morte celular programada – apoptose), fá-las perder as ligações intercelulares e permite espalhar-se pelo todo o corpo através de vasos sanguíneos e linfáticos formando tumores secundários (metástases). Assim, o cancro pode levar mais de 10 anos até ser detectado devido ao aparecimento de sintomas. É habitual os cientistas darem o exemplo do cancro da mama – um tumor demora 10 anos para atingir 1 cm de diâmetro.
Se considerarmos as causas primeiras das mutações que estão na origem do cancro podemos distinguir factores naturais (mutações espontâneas) e factores como radiação ionizante, radiação Ultravioleta, produtos químicos (carcinogénios) e vírus. No quotidiano nós contactamos com vírus, radiação solar e radiações de aparelhos eléctricos, mas se não conseguimos evitar por completo estes factores temos de reduzir a exposição a um dos mais perigosos – os carcinogénios. Entre estes produtos químicos podemos distinguir o benzeno, um dos componentes voláteis do petróleo bruto. Este químico é altamente prejudicial à saúde humana, sobretudo durante as exposições prolongadas.

Segundo um recente estudo, realizado em Espanha, o DNA de alguns pescadores terá sofrido uma mutação após terem estado em contacto com a maré negra provocada pelo desastre do Prestige, em 2002. Já tinham sido lançadas algumas suspeitas há um ano, mas o novo trabalho reforça a hipótese de relação entre o acidente e as alterações genéticas dos voluntários nas operações de limpeza. Alguns deles, tinham ajudado a limpar a costa e, mal equipados, estiveram durante meses expostos ao petróleo derramado.
Este mistério tem intrigado a comunidade científica. Após o sucedido, os médicos que seguiram pessoas ligadas à catástrofe perceberam modificações no património genético destes, ao longo dos anos.
Doenças crónicas, achaques repetidos e risco de desenvolver doenças cancerígenas são algumas das consequências das composições de hidrocarboneto transportadas pelo barco responsável pelas mutações.
Coincidência ou não, os sintomas revelaram-se nos pescadores em contacto com a maré negra, mas a alguns pacientes foi-lhes diagnosticada a doença de Huntington – o que levantou dúvidas. Contudo, a exposição aguda aos hidrocarbonetos aromáticos (presentes no petróleo) tem sido associada a sintomas respiratórios e alguns compostos deste combustível, como o benzeno, são cancerígenos.
O petroleiro liberiano naufragou a 13 de Novembro de 2002 na costa da Galiza, tendo derramado 50 mil toneladas de combustível, transformou-se num dos piores acidentes ambientais da história.
(   http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=47487&op=all ) 

O fenómeno que se verificou após a catástrofe ecológica de Prestige na costa espanhola provocou não só um desequilíbrio biológico, mas também vários repercussões ao nível da saúde humana. Muitos dos voluntários e pescadores que tiveram expostos aos vapores nocivos de benzeno durante um tempo prolongado começaram manifestar doenças genéticas, como as mutações raras e cancro. Dado que a catástrofe aconteceu em 2002, passados os 9 anos é possível detectar as alterações ao médio e longo prazo que ocorreram no organismo das pessoas, nomeadamente no genoma humano.
Hoje em dia, sabe-se que algumas regiões do genoma matam com maior facilidade, é por essa razão que são mais frequentes uns tipos de cancros do que outros. A exposição aos carcinogénios, como alguns hidrocarbonetos aromáticos, provoca o aparecimento de cancro devido a mutações nas regiões do DNA que são mais vulneráveis. Assim, o cancro pode aparecer passando muitos anos nas pessoas que estiveram expostas a estes produtos químicos durante o desastre ambiental de Prestige. O mais interessante é que para além de doenças genéticas como o cancro foram diagnosticadas as doenças raras e mortais como a doença de Huntington que é causada por uma mutação. Trata-se de um alelo autossomico dominante o que aumenta a probabilidade de os filhos de progenitores afectados sofrerem desta doença. Não se sabe com certeza se a causa do aparecimento desta mutação é o benzeno, mas como é uma doença hereditária transmitida por um alelo dominante se a causa fosse anterior ao derrama isso seria visível nas arvores genealógicas dos habitantes, certamente haveria casos de doença nas gerações anteriores que não estiveram expostas ao benzeno. Isto leva-nos a pensar que para além de provocar o cancro, que embora é uma patologia grave ainda pode ser tratado, o petróleo derramado pode provocar o aparecimento de doenças genéticas graves e até afectar as gerações futuras, uma vez que as células sexuais podem também sofrer mutações genicas e cromossómicas que serão transmitidas a descendência.
Deste modo, as consequências de derrame do petróleo podem afectar as gerações futuras, devido a mutações que podem afectar as células sexuais. O problema de catástrofes ecológicas torna-se cada vez mais preocupante quando maior é o nosso conhecimento dos mecanismos de aparecimento do cancro e das mutações em geral.
Em suma, perante as novas investigações que detectam as alterações no genoma humano derivadas de maré negra podemos dizer que as catástrofes ambientais já não são o alvo da preocupação dos ambientalistas mas também dos médicos. O derrame do petróleo não é só capaz de destruir um ecossistema, pode provocar, ao longo prazo, alterações no genoma humano e, certamente, animal. As consequências serão desastrosas – a catástrofe ambiental originará uma catástrofe genética.
A intervenção do homem no meio ambiente cada vez mais altera o clima, provoca aumento do buraco de ozono e polui o ambiente. Em consequência de tudo isto cada vez mais espécies são postas em perigo de extinção. O próprio homem sofre da sua acção irracional: cada vez mais casos de cancros da pele e cataratas são detectados devido ao aumento da taxa da radiação ultravioleta B que chega a superfície terrestre. Os produtos transgénicos (OGM) são uma outra possível ameaça que poderá provocar a contaminação de organismos. Agora suspeita-se que as marés negras podem provocar mutações severas em seres vivos, tanto em animais como em pessoas.

Belerofonte (pseudónimo)

3D é mais eficaz no tratamento de fobias (Utilização desta tecnologia permite resultados mais rápidos e intensos)



Imagens 3D provocam maior activação dos dados fisiológicos

 Imagens em formato 3D provocam “emoções com maior intensidade” do que as tradicionais fotografias a 2D e tornam-se mais eficazes no tratamento de fobias ou situações de stress pós-traumático, conclui um estudo hoje divulgado.
 Desenvolvida nos últimos dois anos e já em fase de conclusão, a investigação é liderada por Luís Monteiro, docente da Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário (CESPU) e encontra-se inserida numa “bolsa da Fundação Bial, no valor de 25 mil euros”.
Uma vez que no tratamento de fobias os pacientes são expostos e confrontados aos “estímulos fóbicos”, muitas vezes com imagens fotográficas, este estudo indica que, “através da realidade virtual, os resultados são mais rápidos, mais intensos e o método mais fácil de realizar, porque é possível recriar os mais diversos cenários” através de computador, declarou o investigador.

 Este estudo envolveu uma amostra de 214 pessoas que foram sujeitas a recolhas de informação de resposta fisiológica, através da actividade eléctrica da pele e observação do ritmo cardíaco. “Houve uma maior activação [dos dados fisiológicos] quando confrontados com as imagens 3D do que com fotografias”, sublinhou Luís Monteiro, acrescentando que foram ainda efectuados testes ao nível da actividade cerebral.
 Para o investigador, através da realidade virtual “é possível reduzir os tempos de recuperação”, uma vez que se consegue sessões com maior intensidade. O relatório final deste trabalho, do qual sairão quatro artigos científicos, será entregue à Bial em Setembro.
Luís Monteiro referiu que, para submeter as pessoas aos testes, foram usados três cenários gráficos em 3D, com o objectivo de estimular diferentes reacções emocionais, designadamente um cenário positivo ou favorável, um neutro e outro negativo ou desfavorável. Este tipo de equipamento utilizado, que implica o uso de óculos 3D, salientou, é "tecnologia ainda cara", mas há já capacetes a partir dos dois mil euros.



2011-05-19

Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=49117&op=all

Nervo artificial para recuperar movimento das mãos (Invenção brasileira e francesa apresentou bons resultados em testes animais)

Vão participar 400 voluntários nos testes clínicos
Um trabalho conjunto de investigadores franceses e brasileiros, apresentado num congresso europeu sobre cirurgia da mão, pode revolucionar o tratamento de pessoas que perderam a capacidade de movimentar este membro.
Trata-se de um protótipo de um nervo artificial que consiste num material absorvível pelo organismo capaz de regenerar algum nervo que tenha sido rompido.
Embora a eficácia desta solução ainda não tenha sido testada em pessoas, experiências com ratos mostraram que a recuperação é funcional do ponto de vista motor e sensitivo, pois o nervo artificial recuperou mais de 90 por cento dos movimentos dos animais testados.
Os cientistas da Universidade Católica do Rio Grande do Sul, no Brasil, e da Universidade Montpellier, na França, inspiraram-se no nervo humano para construir este artificial. Desta forma, visto que o seu crescimento depende de vários nutrientes, a maior dificuldade deste trabalho foi provocar a libertação gradual das substâncias, consoante cada etapa de recuperação.
Contudo, conseguiram atingir um equilíbrio e, em princípio, o nervo artificial vai receber 18 factores de crescimento - substancias sintetizadas a partir daquelas que são produzidas pelo organismo, que proporcionam o desenvolvimento de tecidos (osso, pele ou nervo) e estimulam a sua reparação.
A nanotecnologia vai ter um papel primordial nesta invenção. O nervo artificial, que apresenta sensivelmente o tamanho de um fósforo, vai conter esferas à nano-escala que absorvem as substâncias necessárias à reparação do nervo humano.

Testes do nervo artificial

Os testes clínicos com o nervo artificial vão decorrer a partir de Setembro e envolver 20 centros de investigação do Brasil , França, Suíça e Estados Unidos, sendo que cada instituição vai seleccionar 20 voluntários. No total, haverá 400 participantes que indicarão se esta invenção é viável para ser usada em larga escala.
Os investigadores acreditam ainda que esta aplicação biomédica pode, no futuro, ser eficaz na regeneração da pele, de ossos ou de cartilagens.

2011-04-07

Arte e paixão despertam as mesmas áreas cerebrais (Outros estudos preliminares também já demonstraram que as obras de arte podem reduzir o sofrimento de doentes internados)

"O Nascimento de Vénus", de Botticelli, foi uma das obras utilizadas no estudo


Resultados preliminares de um estudo realizado no Reino Unido indicam que contemplar obras de arte como "O Nascimento de Vénus", do pintor Botticelli (1445-1510) e estar apaixonado estimulam as mesmas zonas do cérebro.

Este estudo, que tem como autor principal Semir Zeki, neurobiólogo da University College de Londres, envolveu vários voluntários que tiveram a oportunidade de admirar 28 quadros de pintores de renome.

Com um scanner cerebral, Zeki conseguiu identificar um aumento de sangue nas áreas de produção do neurotransmissor dopamina e na região do córtex orbitofrontal, que estão associados à sensação de prazer e de afecto. Este é o mesmo processo que decorre quando se está apaixonado.
Outros estudos preliminares também já demonstraram que as obras de arte podem reduzir o sofrimento de doentes internados e ajudar na recuperação de algumas doenças.

Este trabalho de Semir Zeki ainda está a ser revisto, mas o autor prevê que seja divulgado numa publicação especializada ainda este ano.

2011-05-12

Fonte:  http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=49019&op=all

Cientistas querem simular cérebro num super computador

Cérebro humano é estudado há mais de 200 anos mas ainda não há uma visão geral sobre ele, dizem os cientistas.   Objectivo do «Human Brain Project» é investigar doenças como Parkinson ou Alzheimer.  

Um grupo internacional de investigadores está a levar a cargo um programa que pretende simular de forma realista o funcionamento do cérebro humano num super computador. Os objectivos deste Projecto Cérebro Humano (HBP – Human Brain Project) são perceber como se relacionam os nossos neurónios, testar tratamentos contra doenças como o Alzheimer, Parkinson, depressão e criar novas próteses para pessoas incapacitadas.

O projecto está a ser desenvolvido por 13 universidades e instituições de nove países europeus e poderá estar pronto em 2023, isto de conseguir apoio financeiro da Comissão Europeia; apoio esse que seria de 100 milhões de euros durante dez anos. Só para o ano se saberá se há ou não o dinheiro.

Para os cientistas esta ferramenta seria de grande utilidade pois permitiria testar novos fármacos e tratamentos sem necessidade de se recorrer a experiências com animais ou prolongados ensaios clínicos com humanos. Cinco anos antes de 2023, estaria pronto o primeiro protótipo, feito pela IBM.

Henry Markram, investigador da Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça, que está à frente do projecto, acredita que esta tecnologia é uma “verdadeira revolução”. O cérebro “é estudado há mais de 200 anos e o número de artigos científicos sobre o mesmo são 10 milhões, no entanto ainda não temos uma visão geral desse órgão”, explica.

Serão criadas oito novas infra-estruturas tecnológicas de alto nível. A primeira, que realizará as simulações, estará situada na Suíça e será semelhante ao centro de controlo de missões da NASA. A secção dedicada à neuro-informática vai parar a Estocolmo.

Este tipo de investigação sobre o cérebro é cada vez mais importante, até porque um terço da população sofrerá de problemas a esse nível. No entanto, considera Markram, tem sido posto de parte pelas farmacêuticas, pois implica alto custo e a complexidade: “Provar a eficácia de um medicamento pode demorar uns 15 anos, havendo sacrifício de animais e testes em humanos”.
O super computador poderá realizar simulações de uma forma mais rápida. E testar milhares de drogas em vez de apenas uma, o que facilitará o aparecimento de novos tratamentos.

2011-05-12 

Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=49021&op=all

Auto-devoração de células para tratar doenças neurodegenerativa (Investigação realizada na Universidade de Coimbra)

Desencadear um mecanismo em que as células se auto-devorem, para promover a eliminação de indesejáveis, poderá ser uma via para no futuro tratar doenças neurodegenerativas, como aponta uma investigação realizada na Universidade de Coimbra (UC).
Luís Pereira de Almeida, que coordena uma equipa internacional no Centro de Neurociências e Biologia Celular da UC, diz ser essa uma via para promover a eliminação dessas proteínas indesejáveis, como é o caso da ataxina-3 mutada, a proteína tóxica envolvida na doença de Machado-Joseph.
Este processo de autofagia celular já foi confirmado pela sua equipa em modelos animais com a doença de Machado-Joseph, mas “também há evidências de que este mecanismo pode ter efeitos protectores nas outras doenças neurodegenerativas”, afirma o investigador, ligado à Faculdade de Farmácia da UC.
Nessas doenças há um bloqueio desse mecanismo de autofagia, uma falha dos mecanismos de degradação proteica que leva à acumulação no interior dos neurónios de proteínas com conformações alteradas, agregadas em diferentes graus, que se tornam tóxicas.

“É como se existissem ‘sacos de lixo’ que se começam a acumular quando a remoção do lixo numa cidade não é feita. Por outro lado, vimos também que uma das proteínas que era essencial a fazer este transporte, no fundo a remover este lixo - os ’camiões do lixo’ - estavam em níveis mais baixos que o normal”,
explica o investigador.
Ou seja – prossegue – “em vez de haver um número normal de ‘camiões do lixo’ há um número menor, uma diminuição dos níveis da proteína beclina-1”, importante para este processo.
A partir desta descoberta, a equipa de investigação, que envolve ainda elementos de França, México e EUA, desenvolveu “uma estratégia de terapia génica em que aumentando a produção da proteína beclina-1 nos neurónios de modelos da doença de Machado-Joseph (culturas de neurónios e cérebros de ratos), promoveram a eliminação dessa proteína tóxica, a ataxina-3 mutante, e a redução da neuropatologia”.

Novo alvo terapêutico

“Não temos uma terapia que possa ser aplicada aos doentes já amanhã, mas o que isto nos trouxe foi um novo alvo terapêutico”, sublinha, acrescentando que já há medicamentos no mercado que activam a autofagia celular.
Luís Pereira de Almeida realça que até já há fármacos que activam esse mecanismo através da beclina-1, só que “infelizmente são fármacos citostáticos, utilizados na terapia do cancro, dos quais não há garantias de que eles não vão ter alguma toxicidade”. A sua equipa já está a testar em modelos animais outros fármacos que activam a autofagia celular pela via molecular, “com o intuito de trazer tão depressa quanto possível uma terapia aos doentes”.
A Machado-Joseph, que está a ser estudada por esta equipa de investigação, é uma doença neurodegenerativa que inicialmente foi identificada em descendentes de portugueses, principalmente açorianos. Provoca a perda de coordenação motora e acaba por confinar os doentes a uma cadeira de rodas, não dispondo actualmente de um tratamento que permita bloquear a sua progressão.

2011-05-11

Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=48978&op=all 

O cérebro sabe a diferença entre dia e noite

A capacidade de coordenar ritmos circadianos não é influenciada por alterações na quantidade de luz recebida
Uma nova investigação sobre ritmos circadianos da Universidade de Chicago, EUA, revela que o cérebro é programado, desde o nascimento, para desenvolver a capacidade de determinar o nascer e o pôr-do-sol, informa o Eurekalert.
De acordo com Brian Prendergast, professor associado de psicologia na Universidade de Chicago, este estudo traz uma nova abordagem sobre a plasticidade do cérebro e pode explicar alguns comportamentos humanos básicos.

“Esta descoberta pode-nos mostrar por que razão as crianças de muitas espécies eventualmente aprendem a distinguir o dia da noite”, afirmou Brian Prendergast, investigador de ritmos biológicos.

Numa série de experiências, os cientistas foram capazes de mostrar que embora a capacidade de ver estímulos visuais, tais como o movimento, seja perdida quando um olho em desenvolvimento não é exposto à luz, a capacidade de determinar os ciclos de luz e escuridão não é afectada. Assim, a capacidade de distinguir entre a noite e o dia desenvolve-se à medida que um animal cresce.
Outras experiências demonstraram que os primatas, assim como os seres humanos, adaptam-se naturalmente a um ritmo de sono durante a noite. Mas esta investigação mostra que o caminho no sistema circadiano que permite a sincronia entre o cérebro e os ritmos dia-noite no meio ambiente é provavelmente uma característica inata do desenvolvimento.

“Pela primeira vez, estabelecemos que a capacidade de coordenar os ritmos circadianos com mudanças diárias de exposição à luz não está tão sujeita à plasticidade, ou seja, não é influenciada por alterações na quantidade de luz que o cérebro recebe durante o desenvolvimento”, explicou August Kampf-Lassin, investigador principal.

Experiência com hamsters
Os resultados do estudo foram retirados de uma série de experiências com hamsters.
Pouco depois dos olhos dos hamsters abrirem, mas antes de serem expostos à luz, os cientistas colocaram uma lente de contacto que bloqueou completamente a luz num dos olhos. Manter um olho fechado e outro aberto é um método que os cientistas usam para estudar o uso da plasticidade no desenvolvimento visual.

Em seguida, os hamsters cresceram num ciclo claro-escuro de tal forma que só um dos olhos foi capaz de enviar informações de luz para o cérebro. Na idade adulta, as lentes foram retiradas, e foi avaliada a função dos olhos dos hamsters privados de luz. Os investigadores descobriram que os cérebros dos hamsters estavam cegos para todos os estímulos visuais apresentados ao olho privado de luz, tais como alimentos ou estímulos em movimento.
No entanto, o olho privado de luz conservou perfeitamente a capacidade dos hamsters para sincronizar os ritmos circadianos de actividade com um dia de 24 horas. O estudo também mostrou que a privação monocular a longo prazo não afectou as projecções anatómicas do olho para o relógio circadiano no cérebro.

“É interessante ver como alguns aspectos do desenvolvimento comportamental estão interligados e desenvolvem-se em padrões típicos, mesmo na ausência total de um ambiente normal para o sistema”, sublinhou Brian Prendergast.

2011-04-29

Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=48756&op=all

Descoberto mecanismo celular implicado em doenças degenerativas

Uma equipa de investigadores em Itália, que inclui uma portuguesa, descobriu um mecanismo básico que ocorre nas células e como tornar as mitrocondrias mais eficientes, o que pode abrir portas na investigação de doenças como o Alzheimer, embora não tenha "uma aplicação directa na cura", explicou à agência Lusa Lígia Gomes, estudante da Universidade de Coimbra, que se encontra a fazer investigação na Universidade de Pádua, em Itália.

A equipa de investigadores daquela universidade concluiu que, ao induzir a autofagia nas mitocondrias - estruturas das células que produzem energia -, estas "mudam de forma e tornam-se mais eficientes, algo que, se não acontecer, põe em causa a sobrevivência das células", disse.

Lígia Gomes desenvolveu o trabalho de pesquisa na Universidade de Pádua juntamente com os investigadores italianos Giulietta Di Benedetto e Luca Scorrano, também professor na Universidade de Genebra.

Segundo a portuguesa, que é a primeira autora deste estudo, a descoberta de um novo papel das mitocondrias abre portas, pois a sua desregulação está envolvida em várias doenças. "Em algumas – como a doença de Huntington [um distúrbio neurológico] - sabemos que as mitocondrias estão fragmentadas. Se evitarmos isso, garantimos a sobrevivência das células", referiu.

Conhecer o comportamento das mitocondrias pode ainda ajudar na descoberta de "novas estratégias para controlar a sobrevivência das células, seja para evitar que morram excessivamente, como ocorre nas doenças neurodegenerativas (casos do Alzheimer e do Parkinson), ou para controlar a sobrevivência descontrolada que se observa nos tumores cancerígenos".

Apesar de não ter aplicação directa, esta descoberta, que foi publicada na revista científica britânica "Nature Cell Biology", garante Lígia Gomes, "abre perspectivas, já que desvendou um mecanismo fundamental das células".


Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=48542&op=all