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Cirurgia de incisão única


Para além do umbigo também é possível operar pela vagina, pelo estômago, pelo reto

Esqueça as operações de barriga aberta, com dias e dias de internamento e meses de recuperação... A laparoscopia veio revolucionar a forma de operar mas, nos últimos dois anos, ainda se deu um novo passo ao substituir os três ou quatro furos pela utilização dos orifícios naturais: um deles é a cicatriz umbilical.
Para além do umbigo também é possível operar pela vagina, pelo estômago, pelo reto. “Entramos num orifício natural e através daí é que passamos à cavidade onde vamos promover as cirurgias”, afirma o cirurgião Ricardo Girão que utiliza esta nova técnica nas suas operações no hospital da CUF Infante Santo.

 A técnica utilizada continua a ser a laparoscopia, mas em vez das três ou quatro portas que todos os cirurgiões utilizavam, agora tudo se resolve com uma só. “Através dessa porta é que divergimos lá dentro”, explica o médico para acrescentar que por um único orifício podem entrar até quatro trocares, ou seja, as sondas que entram no organismo e cortam tudo o que têm a cortar manobradas do exterior.

 Uma delas transporta uma câmara que permite ao médico visualizar no exterior, através de um ecrã de computador tudo o que se passa no interior do nosso corpo. Por este método incomparavelmente menos invasivo, é possível retirar vesículas, operar o intestino, fazer recessões ao cólon, ao intestino delgado e até operações ginecológicas. “Com a vantagem de não deixar qualquer cicatriz”, assegura o cirurgião.


Para além do aspecto estético que é perfeito, o especialista foca ainda o conforto do pós operatório que é praticamente indolor e obriga a menos tempo de internamento. “O doente faz esta operação com anestesia geral e fica apenas um dia internado”, acrescenta Ricardo Girão que já desenvolve esta técnica há dois anos e já operou mais de 200 vesículas por este método.

 O médico faz questão de surpreender os seus doentes com uma única incisão, mas ultimamente os doentes já têm conhecimento da técnica e são eles que pedem. “As mulheres fazem mais questão de serem operadas desta forma, mas os homens também já começam a pedir.”

 Esta nova técnica veio acabar definitivamente com os três ou quatro buracos na barriga, já que anteriormente o umbigo nunca era utilizado para a operação. Enquanto os homens conseguiam disfarçar as cicatrizes com os pelos, as mulheres ficavam com esses buracos bem visíveis a vida toda.

 Nos Estados Unidos a nova técnica de incisão única ganhou popularidade quando um jornalista revelou num canal de televisão que a mulher tinha sido operada à vesícula pela vagina. A medicina não pára de nos surpreender!


2012-07-08
Por Palmira Correia
Fonte: cienciaviva.pt

Premiado dispositivo com maior impacto futuro no campo clínico (Equipa de Aveiro e do Hospital de São Sebastião galardoados)


Equipa de investigadores da Universidade de Aveiro e do Hospital de São Sebastião em Santa Maria da Feira conquistaram o prémio «Highest Impact Demonstration in Wearable Technology», na 33ª Conferência Internacional da sociedade IEEE de Engenharia em Medicina e Biologia, a maior na área de Engenharia Biomédica, com a apresentação intitulada «The SWORD ambulatory rehabilitation system», realizada em Boston. 
 O sistema resulta do trabalho de doutoramento (em curso) de Virgílio Bento, e insere-se no projecto de investigação: «SWORD - Stroke Wearable Operative Rehabilitation Devices, Desenvolvimento e validação clínica de um dispositivo vibratório inteligente de uso ambulatório na reabilitação de doentes com AVC», co-financiado por fundos europeus (através do programa COMPETE) e pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.
O dispositivo foi desenvolvido no Instituto de Engenharia Electrónica e Telemática de Aveiro (IEETA), mas testado e optimizado no Hospital de São Sebastião, por Virgílio Bento, Márcio Colunas e David Ribeiro, orientados por João Paulo Cunha, em estreita colaboração com o Vítor Cruz, pertencente ao Departamento de Neurologia do hospital.
 O trabalho de investigação visa o desenvolvimento de novos aparelhos de reabilitação médica que permitam uma mais eficaz recuperação motora do paciente após dano neurológico. Casos particulares de aplicação são, por exemplo, a reabilitação de pacientes que sofreram um acidente vascular cerebral (AVC). O sistema é uma plataforma de reabilitação que permite o treino físico em ambulatório mantendo a mesma qualidade comparativamente a um ambiente clínico.
 Ainda a partir de um método de quantificação de movimento, é pedido ao paciente que treine em casa um conjunto de tarefas motoras. Cada execução é quantificada pelo sistema sendo dado directo feedback ao paciente através de uma aplicação de software instalada no seu computador pessoal. O feedback, em forma auditiva e visual, permite verificar se o movimento foi efectuado correctamente e caso não tenha sido, mostra fazê-lo correctamente.
Dispositivo pode ajudar pacientes que tenham sofrido um AVC.
No fim de cada sessão de treino, os dados relativos ao número de movimentos correctamente e incorrectamente executados, tempo de treino, nível de dificuldade atingido (entre outros parâmetros), são enviados remotamente para a consola clínica do paciente, onde o médico responsável pode verificar a evolução da recuperação.

Vantagens
 Portanto, o sistema apresente inúmeras vantagens, como uma eficaz gestão dos recursos humanos do hospital (menor custos); maior intensidade na reabilitação do paciente; a recuperação pode ser no conforto da sua casa; eficaz preparação do plano de reabilitação do paciente e uma contínua e não subjectiva avaliação da evolução do paciente.
 A trigésima terceira conferência da sociedade IEEE de Engenharia em Medicina e Biologia, que ocorreu dos dias 30 de Agosto a 2 de Setembro em Boston, é a mais importante na área da Engenharia Biomédica, contando com a presença de várias celebridades científicas como por exemplo Craig Venter ou Dean Kamen. Na competição participaram 12 equipas provenientes dos mais variados locais, como o M.I.T, Universidade da Califórnia, Universidade da UTAH, Instituto de Reabilitação de Chicago, entre outros.
 Segundo Virgílio Bento, agora é necessário fazer uma optimização das várias componentes que integram o sistema e proceder a uma validação clínica extensiva que permita que este se torne num dispositivo de reabilitação médica global capaz de ser aplicado a milhões de pacientes que sofreram um AVC e conseguir assim uma maior e mais eficaz reabilitação funcional e motora.